Estágio coloca em prática conhecimentos de sala de aula e ajuda a definir o rumo de carreiras
Obrigatório em alguns cursos, incentivado em outros, o estágio é um passo importante na ascensão profissional

Gabriel (a partir da esq.), Eduardo e William já fizeram estágio na instituição onde hoje ocupam cargos de gestão
Foto:
Carlos Macedo / Agencia RBS
Porta de
entrada para o mercado de trabalho, o estágio é considerado parte
importante da graduação, oportunidade de colocar em prática aquilo que
se aprende em sala de aula. Sem a cobrança de um emprego formal, é ainda
a chance de aprender, errando e acertando, e descobrir como é o ofício
na área escolhida. Tudo, espera-se, sem atrapalhar os estudos.
Mesmo
nos casos em que não é obrigatório, o estágio costuma ser incentivado.
Quando feita dentro do que é ensinado na graduação – uma exigência da
nova lei dos estágios, em vigor desde 2008 –, a experiência pode ser
aproveitada como créditos complementares. Se cursos como Administração e
Psicologia, por exemplo, requerem que o formando faça pelo menos um
estágio, outras faculdades recomendam a atividade até para o aluno
definir qual rumo seguir.
– Além do conhecimento técnico, a
experiência em um estágio também é comportamental. O aluno muitas vezes
tem capacidade de exercer as funções, mas precisa aprender como se
relacionar com os colegas, com o chefe, e descobrir o que pode
acrescentar à empresa – explica Luciana Rocha, da Assessoria ao
Estudante da Faculdade Senac Porto Alegre.
Nos relatórios que
passaram a ser exigidos dos alunos e das empresas, Luciana nota que
muito se aponta o amadurecimento do estagiário – que passa da
introspecção à participação, da insegurança à assertividade. É a
passagem definitiva do Ensino Médio, uma época sem tantas
responsabilidades, ao Ensino Superior, quando chega a hora de se
preparar para a profissão.
O estágio serve como um aprendizado.
Isso porque, além de ser a chance de descobrir o que se quer fazer como
profissional, pode também ser a oportunidade de concluir justamente o
contrário: o que não se quer fazer da carreira.
– Talvez ainda
mais importante do que saber o que se quer fazer é aquilo que não se
quer. Saber que essa experiência não é para você, que não é o que você
esperava, pode servir para definir os rumos da carreira – garante o
diretor de Ensino da Faculdade de Tecnologia Alcides Maya, Vitor Hugo
Aramburo Pires.
Porta de entrada nas empresas
Comuns
nas grandes empresas, os estágios também podem servir como o primeiro
passo rumo a uma ascensão profissional no próprio local de trabalho. Foi
assim com Gabriel Baldo Batista, Eduardo Barroso e William Barbosa
Lemos. Hoje, eles são, respectivamente, coordenador do polo de graduação
do Instituto Educacional Rio Grande do Sul (Iergs), gerente comercial
da mesma instituição e articulador de educação a distância do
Uniasselvi. Para eles, o estágio foi a oportunidade de, depois de
formados, assumir uma vaga efetiva e crescer na empresa.
Estágio na graduação
No
Ensino Superior, o estágio é uma atividade supervisionada, relacionada à
área de estudos do aluno e, muitas vezes, parte da formação acadêmica. O
objetivo é proporcionar experiência profissional, levando o aluno ao
aprendizado de competências próprias da atividade profissional e à
prática do que é estudado.
Quem pode fazer
Qualquer
aluno regularmente matriculado na educação superior, profissional ou de
Ensino Médio (regular e supletivo), assim como na educação especial,
pode se candidatar para um estágio com atividades relacionadas a sua
área de formação.
É obrigatório?
Dependendo
do curso, o estágio pode ser obrigatório ou não: o primeiro é
pré-requisito para a aprovação e obtenção do diploma, e é geralmente
cobrado nos semestres finais. O segundo é opcional, mas pode ter a carga
horária aproveitada como crédito complementar.
Como se informar
As
faculdades costumam firmar parcerias diretamente com empresas,
encaminhando os estudantes para estágio, ou ainda com centros de
integração, que fazem o meio de campo entre empresa e aluno. Muitas
universidades contam com um setor próprio de estágios dentro da
graduação, e é possível conferir as vagas disponíveis por meio desse
serviço. Esses setores são responsáveis pela gestão administrativa e
supervisão acadêmica dos estágios, incluindo planejamento,
acompanhamento, avaliação e validação.
Onde estagiar
As
vagas ofertadas pela própria universidade costumam levar o aluno a
empresas que já trabalham na área de estudos. Quando a oferta é feita
por centros de integração é importante observar se as atividades estão
relacionadas à graduação.
Há garantia de efetivação?
Nada
impede que a empresa contrate o estagiário antes mesmo de encerrado o
período de contrato (máximo de dois anos), mas não há garantias disso:
depende de decisão da empresa, da própria vontade do aluno e também da
possibilidade de conciliar o trabalho com os estudos.
Fontes:
Luciana Rocha, da Assessoria ao Estudante da Faculdade Senac Porto
Alegre; Laira Seus, vice-presidente de Educação Corporativa da ABRH-RS;
Vitor Hugo Aramburo Pires, diretor de Ensino da Faculdade de Tecnologia
Alcides Maya.
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Estágio x emprego
Apesar
de ser o desejo de muitos alunos ainda na graduação, assumir um cargo
efetivo pode acabar atrapalhando os estudos. É que o estágio é
geralmente feito no turno inverso das aulas – principalmente quando
funciona em um acordo com a própria universidade –, enquanto um emprego
fixo costuma ocupar boa parte do dia. Conciliar trabalho e estudo,
portanto, fica mais fácil quando não há vínculo com uma empresa.
É
assim que Henrique Goulart Tein, aluno do quarto semestre em Análise e
Desenvolvimento de Sistemas no Senac, dá conta das lições e do estágio.
Ele trabalha na Dell, onde expande os conhecimentos adquiridos no curso e
tenta se preparar para assumir uma vaga efetiva – o que inevitavelmente
atrapalharia o andamento das aulas.
– Eu quero o emprego, mas sei
que, se for contratado, vou ter de passar a faculdade para a noite,
porque o dia inteiro vou estar trabalhando. É um esforço – diz o
estudante.
Foi o que fez o graduando em Produção Multimídia
Alexandre Zetermann Cunha. Efetivado antes de concluir o curso, ele
começou o estágio em uma agência de publicidade e teve de conciliar
faculdade e emprego. A experiência, ele garante, tem sido benéfica: o
que aprende no curso, Alexandre aplica no trabalho e consegue levar as
lições da sala de aula para a agência.
DIREITOS E DEVERES DO ESTAGIÁRIO
AtividadesA
jornada de trabalho deve ser compatível com as atividades escolares. Ou
seja: o estagiário somente pode ter atribuições que envolvam os
conhecimentos desenvolvidos na graduação.
Carga horáriaA
lei determina um período máximo de seis horas diárias (30 horas
semanais) para todos os estágios, seja para alunos do Ensino Superior,
da educação profissional ou do Ensino Médio.
DuraçãoMáximo
de dois anos na mesma empresa ou órgão público, dependendo de renovação
em comum acordo com o estagiário. Não há mais o tempo mínimo de vínculo
por um semestre letivo.
BenefíciosA
remuneração e a oferta do auxílio transporte são obrigatórias, exceto
nos casos de estágios curriculares. No entanto, a legislação não
estabelece um piso salarial.
SupervisãoAs
instituições de ensino precisam designar um professor orientador da área
para acompanhar o aluno e exigir dele a apresentação periódica de um
relatório de atividades.
FériasEstagiários
têm direito ao recesso remunerado (férias) de 30 dias a cada 12 meses de
estágio na mesma empresa – ou o proporcional ao período estagiado, se
totalizar menos de um ano.